Filosofia + Sustentabilidade
Abaixo, resumo de artigo de um cara tri inteligente, um amigo de longe.
O homem e o paradigma ambiental
Fábio Valenti Possamai
Resumo: O presente trabalho discute a posição do ser humano em relação à natureza, seu poder e conseqüente responsabilidade que tem sobre ela. Ademais, o trabalho objetiva questionar o atual paradigma ambiental, baseado em um antropocentrismo exagerado e responsável pelo estado de coisas que vivemos atualmente. Esse antropocentrismo acabou fomentando a crença de que o homem, através da ciência e do progresso, pode descobrir a “verdade absoluta” e atingir, afinal, seu objetivo último. Passou-se a pensar que, com o progresso da razão iluminista, o homem tornar-se-ia cada vez melhor. O problema reside no fato de como o ser humano encara o mundo e seu lugar nele – quais ações são por nós executadas em nome de uma religião, de uma ciência ou de uma Razão. Devemos levar em conta que o ser humano é a única espécie capaz de promover sensíveis alterações no ambiente – se nossa dita “razão” servir para alguma coisa, deveríamos usá-la para agir com mais responsabilidade. Em nossa defesa, contudo, podemos mencionar que houve, em tempos recentes, a aquisição de uma consciência por parte do ser humano, no que tange seu papel e seu poder em relação à natureza. Parece que finalmente chegamos ao consenso de que nossas ações causam sim grandes interferências no equilíbrio ecológico de nosso planeta. Graças à atuação humana, a homeostase (a condição estável na qual um ecossistema encontra seu equilíbrio) da biosfera está seriamente ameaçada. A partir dos séculos XVI e XVII, com o pensamento de Bacon e Descartes, passamos a enxergar as coisas de modo diferente – inclusive a nós mesmos. O mundo, com tudo que há nele, começou a ser visto como uma grande máquina; o mecanicismo passou a imperar – formando um grande reducionismo. Percebemos que, a tão alardeada Razão, degenerou em uma razão instrumental – mudança essa percebida com muita argúcia pela Escola de Frankfurt. Adorno e Horkheimer traduziram essa alteração em seu livro “A Dialética do Esclarecimento”, onde afirmam que a racionalidade vigente se torna calculista, algo que desumaniza o humano e se volta para o técnico – só o que importa é o procedimento. Bacon havia elaborado um plano para conquistar a natureza, domá-la e fazer dela uma serviçal para nós humanos. Talvez estejamos presos a nós mesmos, e jamais conseguiremos enxergar nada além do ser humano. A Ética Ambiental surgiu como uma resposta do homem ao próprio homem – é a afirmação que aspectos éticos podem ser aplicados ao outro, e não somente ao ser humano. O que precisaríamos hoje seria uma grande mudança nesse paradigma, cuja origem está justamente nas Revoluções Científica e Industrial – reforçado pelo aporte do Iluminismo – que nos fez acreditar na idéia fantasiosa de um progresso infinito, além de colocar o método científico como única ferramenta válida na busca do conhecimento.
Mestrando em Filosofia pela PUCRS e bolsista do CNPq. E-mail: fabio.possamai@acad.pucrs.br
Para ler mais, baixe o arquivo em PDF, infelizmente sem o desenvolvimento, consta apenas introdução e conclusão.
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