Crianças no alvo da mídia
Um prato cheio para o varejo e para a indústria, as crianças são consideradas hipervulneráveis às mensagens mercadológicas. De acordo com os especialistas, a criança é um ser em formação e, por essa razão, incapaz de compreender inteiramente as relações de consumo. Para Isabella, a criança fica exposta a mensagens que não a beneficiam de nenhuma forma, pelo contrário, despertam nela o hábito de consumismo, que pode levar a uma série de problemas, dentre eles distúrbios alimentares e obesidade infantil, estresse familiar, erotização precoce, consumo precoce de álcool e violência. A diferença entre o consumo da criança e do adulto está no fator critérios, segundo a psicopedagoga Sonia, pois o adulto tem condições de analisar a sua prioridade frente ao que está sendo ofertado. “O consumo infantil, habitualmente, é uma atividade prazerosa. No entanto, na medida em que ele se torna uma obsessão para a criança, que imagina não poder ficar sem o objeto de seu interesse, passa a ser extremamente perigoso”, alerta Sonia.
Há um investimento cada vez maior do mercado publicitário voltado para os pequenos consumidores. Segundo o Ibope, em 2006, os investimentos publicitários destinados ao segmento infantil no Brasil foram de quase R$ 210 milhões. Mas é preciso lembrar que não apenas as publicidades de produtos e serviços infantis que impactam as crianças. Isto porque as crianças são responsáveis, inclusive, pelas decisões de compra dos pais. A pesquisa da InterScience, de 2003, apontou que a criança influencia 80% das decisões de compra de uma família, inclusive de produtos direcionados aos adultos, como carros e telefones celulares. Mas Isabella diz que devemos olhar o que está por trás dessa informação para entendermos porque as crianças tem tanto poder nesse sentido. Segundo o Ibope, a criança brasileira passa quase cinco horas por dia em frente a televisão. Dessa forma, ela é fortemente impactada pelas publicidades, não só de produtos e serviços direcionados a ela, como também aqueles direcionados aos seus pais. “A criança foi transformada pelo mercado em uma pequena promotora de vendas”, critica.
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